Post curto e cheio de indignação. Como assim a Uniban expulsou a aluna? Desde quando uma turba ensandecida gritando PUTA e ameaçando um estrupo coletivo é sinônimo de “reação coletiva de defesa do ambiente escolar”. São tantas coisas erradas. Tremi de raiva ao ler a nota acima, poucas vezes vi tanta insanidade em tão poucas palavras.
Está até difícil argumentar racionalmente sobre este assunto. Começa pelo pensamento medieval de que a mulher é uma posse, de que ela não tem direito e que não pode ser um ser sexualmente ativo, que o tesão delas não é delas e sim uma posse dos homens. Eu realmente esperava que já tínhamos passado disso, pelo menos aqui em São Paulo. Como um país que deseja ser a quinta economia do mundo, um país que deseja ser membro permanente do conselho de segurança, que deseja ser um dos autores principais do mundo e não mais um coadjuvante ainda atua dessa forma. E pior, dentro do seu centro teoricamente mais evoluído, dentro de uma metrópole que deseja ser uma das metrópoles do mundo, que deseja dividir o mesmo espaço no imaginário do mundo com Paris, Londres, Nova York, Tokio, etc.
Ai vem a universidade e, ao invés de mostrar que ela deseja iluminar uma juventude, escolhe o caminho mais retrógrado que consegui imaginar. Ao invés de punir os criminosos machistas e os expulsar, expulsa a vítima. Já li, e acho que possa ter sido uma das razões, o fato de que, se a universidade (nem sei se eles merecem ser chamados assim) tivesse agido corretamente, perderia muitos clientes.
Estou pensando seriamente se teria como o presidente da UNIBAM ser punido civilmente por essa atitude? Até onde eu sei preconceito ainda é crime neste país, certo? E o MEC, eles não deveriam tomar uma atitude? Fazer uma sanção contra a UNIBAN, talvez até ameaçar de descredenciamento?
Bem, para finalizar deixo o vídeo abaixo que ilustrar perfeitamente o quanto esse caso é um absurdo:
E como disseram em uma twittada em algum lugar,para deixar as coisas mais leves: “Depois do episódio do vestidinho rosa, temo pela segurança física da Monica e da Magali”.
Acho normal sua reação. Mas você não pode misturar duas coisas: mulher e intolerancia.
Não sabia dessa notícia, como não sabia nem da história da garota da UniBan, simplesmente porque acho a imprensa tão eficiente para falar sobre assuntos ruins neste país e nunca falar das notícias positivas que desisti de me informar sobre acontecimentos.
No entanto, a expulsão da garota não é um problema de machismo, mas bem de intolerancia. Se algum homem fosse encontrando beijando outro ou vestindo alguma roupa meio efeminada, naquela universidade, eu tenho certeza que uma reação parecida teria acontecida…
Eu concordo 100% contigo sobre o fato que a mulher (ou o homem) tem direito a se vestir da forma que bem quiser, se não tiver alguma regulamentação que o proíba. Do outro lado, tem que determinar onde é o limite do razoável, e onde as coisas viram fora de controle. Por exemplo, eu acho que uma mulher vestida de roupa de gala numa universidade (ou um homem com “queue-de-pie”) seria fora de razão…
Eu estou – sempre que puder – a favor da diferenciação das pessoas. Eu acho que o mundo é lindo porque ele é colorido: cada um(a) seu jeito, sua cultura, sua forma de pensar. Se tudo fosse limitado por um certo conformismo, as coisas virariam um tédio.
Voltando ao assunto, eu não posso julgar se a expulsão era legitima – caso existisse alguma regulamentação interna, por exemplo – ou não, mas mesmo se não fosse, acho que não deve se falar de machismo, mas simplesmente de intolerancia.
Um beijo.
Na verdade Cal, o exemplo dado por você também é de machismo. É um exemplo que mostra uma cultura arraigada em valores patriarcalistas onde todos os direitos se encontram somente com os homens, e para pode usufruir deste direitos, esses homens tem que se pautar por um dado arquétipo. Não que não tenha ocorrido um ato de intolerância, mas uma palavra não exclui a outra. E caso continuemos a tapar os nossos olhos e fingir que machismos, racismos e outros preconceitos não existem nunca iremos nos livrar deles. E por fim, te garanto que a expulsão da moça não teve nada de justa. Vou comentar no meu próximo post sobre a diferença do noticiário entre o Brasil e a França, e o que mostra essa diferença de cobertura é que as mazelas neste quintão são muito maiores que no seu antigo país. E volto a repetir: fingir que esses problemas não existem não os soluciona, e muito menos aceitá-los como fatos da vida.
Só para deixar claro: não acho normal nenhuma forma de discriminação, e sou 100% contra o machismo e a intolerancia, de qualquer forma que sejam.
Espero não ter sido mal interpretado por vocês.
Abraços/beijos.
Oi Cal, só discordei de você sobre o fato de você não considerar que o fato foi machista. Percebi que de qualquer forma você não concorda ou até mesmo se mostra indiferente ao evento.
Prezado Bob,
Penso que atitudes de comportamento de um grupo de pessoas reflete o nível sócio-cultural deste grupo.
Honestamente não me causa estranheza que alunos de uma universidade classificada em ultimo lugar no ranking de universidades brasileiras fossem agir de maneira diferente.
É o reflexo de uma educação mesquinha, intolerante e pouco esclarecida, infelizmente !
Olá Eduardo, a daminha estudou na FEA-USP, e mesmo lá muito dos seus colegas mostravam sinais claros de um machismo exagerado. A única diferença que ela vê entre a UNIBAN e a FEA neste quesito do machismo, é que a educação superior dos alunos da FEA lhes dão consciência que que fazer aquela baderna ia dar merda. Mas não vai impedir eles de chamarem alguma menina de puta por que ela resolveu vestir algo diferente do convencional, no máximo eles vão guardar seus comentários para momentos onde eles tenham certeza que não haverá consequências. Concordo com você que o problema é educação, mas discordo que sÃo só os pobres que são mal educados, na minha opinião é o país como um todo que ainda não aprendeu a respeitar as mulheres.
Refletindo sobre esse caso fiquei em dúvida se o machismo é tipificado como crime. Sei que o racismo é, que tentam fazer o mesmo com a homofobia. Mas as mulheres são protegidas contra assédios, mas não contra o machismo. Pelo menos até onde eu sei.
Dá medo viver numa sociedade tão machista. Difícil crer que se pode ser você mesma,agir conforme teu próprio querer e pensamento.
Carol, fiz até um post pouco tempo atrás que comenta sobre como isso ainda é uma utopia. No caso comparava o mundo desenhado nos filmes do Wood Allen, mas é perfeito para essa situação.
Concordo 100% nada, absolutamente nada, torna a atitude da intituição e dos participantes da agressão aceitável.
” Se algum homem fosse encontrando beijando outro ou vestindo alguma roupa meio efeminada, naquela universidade, eu tenho certeza que uma reação parecida teria acontecida… ” e seria tão inacetável quanto.
Absurda comparação , Jesus !
Olá Gulossita, acredito que o que o cal quis dizer era que por causa de existir também homofobia, que esse episódio não se enquadraria no machismo. De qualquer forma ele se mostrou claramente contra todas as formas de intolerância. Só deu nomes levemente diferentes aos bois. Para mim a homofobia brasileira é inclusive muito ligada ao machismo.
Eu entendi isso, mas pra mim teve e continua tendo uma sonoridade diferente, ao estilo “não aprovo mas também não condeno, é natural “enfim , eu sou um pouco radical, confesso.
Gulossita,
Condeno, sim. Porém, este não é meu país, portanto não sou eu que devo fomentar aquela revolução cultural/educacional.
Se fosse na França, pode ter certeza que eu estaria na rua, ou faria parte dos estudantes que foram para a reitoria, totalmente ou parcialmente pelados…
Você tem que entender que cada povo resolve sozinho seus problemas, e que as pessoas de fora não tem direito de ingerencia. Eu dou minha opinião, porque expressar opinião é minha liberdade, acho a situação ruim e uma completa falta de tolerancia, no entanto, eu não vou iniciar a revolta: isso é SEU papel
Um beijo.
Cal,
Sou casada com um Frances ha 15 anos, entendo um pouquinho da cultura, conheço nossos problemas, o que discordei de voce sim foi titular Machismo como intolerância,
Intolerância é quando não se tolera algo, e o ocorrido, ou a situação que voce colocou em comparação, são direitos naturais de ser, não pede tolerância, pede respeito e reconhecimento, tolerar não é o verbo.
Acho que vc se coloca na situação confortável de ser estrangeiro, voce diz viver nesse Pais há anos, eu acho que é seu papel tanto quanto o meu lutar por ele, por respeito ao seu direito de moradia, cidadania, ou voce só passa férias e não paga seus impostos aqui ?
Como dizem os Franceses o que você faz no meu Pais se não o toma como seu ?
Desculpe Bob, bate boca na sua casinha,mas é lamentável isso prá mim pede Intlerância