Na minha última ida ao teatro descobri alguns detalhes da minha relação com o teatro. Em algum lugar por aqui (tou com preguiça de usar meu google-fu) já escrevi que sou meio chato com essa forma de arte, que a daminha tem que me convencer a sair de casa. Eu mesmo acho essa minha resistência meio estranha, tanto que um dos meus momentos mais marcantes foi uma peça que assisti. Mas mesmo assim, mesmo amando certas companhias de teatro (a Sutil, os Parlapatões), a daminha sempre tem que se esforçar para me tirar de casa, esforço que nunca foi necessário para levar esse vira-lata ao cinema. E olhando minha relação com o cinema e comparando como aprecio essas duas formas de arte percebi porque gosto tanto de um e resisto ao outro.
Sou um cinéfilo ultimamente sem tempo de ver remotamente a quantidade de filmes que gostaria, mas durante a adolescência via mais de 6 filmes por semana. E assim, depois de ver quinhentos filmes de cada gênero, a surpresa nos filmes foi morrendo, mas aprendi a apreciar os detalhes de cada filme. Mesmo que eles usassem alguns elementos que já tinha visto n vezes, eu prestava atenção se os elementos eram usados de uma forma que renovava o clichê. Prestava atenção nas partes que faziam a obra. Olhava atentamente a produção, a cenografia, as atuações individuais, a sonoplastia, as escolhas do diretor, o roteiro. E assim julgava os filmes por suas parte e não pelo todo, podendo apreciar filmes que pecavam em alguns quesito, e reconhecendo quando um filme alcançava a perfeição. Meu fascínio quase me fez mudar de carreira e tentar a sorte neste campo.
Mas este post não é para falar de cinema e sim de teatro. E vendo o Zoológico de Vidro, de Tenesse Willians, algumas semanas atrás, notei que não consigo fazer o mesmo com as artes cênicas. Me vi de cara amarrada a peça inteira, pois me incomodava com os detalhes mal feitos e não conseguia apreciar as qualidades. A fraquíssima atuação dos atores me enervava, em especial a Cassia Kiss, onde assumo uma mea-culpa de ter um maior preconceito quando julgo atores globais. Mas mesmo tentando relativizar meu preconceito, acredito que ela não era a melhor pessoa para o papel da mãe, e as tentativas dela de fazer humor não me atingiam. Além disso estava claro que a peça havia sido insuficientemente ensaiada dado o número enorme de erro nas falas. Continuando com as pedradas, a cenografia era fraquíssima, chegando a atrapalhar a imersão na peça. A falta de adaptação do texto a uma realidade não americana, ou pelo menos melhor mimetizar aquela cultura no período entre guerras também atrapalhavam a apreciação da obra. E por isso acredito que não consegui gostar de um texto de um autor consagrado.
Viram a diferença? No cinema, mesmo vendo os defeitos, eu conseguiria apreciar as qualidades. No teatro a minha relação é 8 ou 80, amo ou odeio. E acredito então que é o medo de perder 3 hora em um programa desagradavel que me segura em casa.

Que Alivio, me sinto normal agora.
Beijo nos ceis
então, eu gosto de teatro qndo é comédia besta mesmo, tipo melhores do mundo [q é daqui], mas se me chamar pro teatro pra ver adaptação de escritor inglês, q viveu em roma e escreveu sobre a croácia eu tô fora…
beijos
Bobzito, temos algo em comum, se tem coisinha que não me tira de casa nem por decreto é teatro…
Já o cinema, é parada obrigatória toda semana…
Bjos
Eu sempre acho que no teatro o melhor local é o PALCO.
quem já fez sabe disso…
E eu acho que esse GOSTAR ou NÃO GOSTAR tem muito haver com o que a gente cresce vendo…
Tem gente que tem na TV, por exemplo, uma espécie de babá eletrônica….e daí pro cinema…
Mesmo sem TV o cinema tem um MONTE de detalhes na cena que enchem os nossos olhos…
Dizem que pessoas que não gostam de ficar sozinhas…Que necessitam sempre de gente por perto dificilmente amam o teatro.
sei lá se é verdade…mas já vi alguns casos que comprovam isso….rs
Interessante pois você comenta com um certo domínio no assunto… eu manjo pouco de artes cênicas em geral, mas tendo a apreciar mais filmes (apesar de que, confesso, nem sempre me deixo levar pela hst). Acho que arte é isso, toca as pessoas de jeitos diferentes. Beijos, querido!
Domínio em qual assunto Su? Teatro ou cinema? O primeiro é como eu disse: Tiveram peças que foram momentos definidores na minha vida, mas ainda me falta muito conhecimento na área. Agora cinema foi fortemente a minha segunda opção de carreira por um bom tempo.
Que Alivio, me sinto normal agora. [2]
Monólogos então nem pensar!
A contradição é que eu adoro ópera mas detesto teatro.
bjos
Tava falando das peças mesmo… os detalhes que vc repara, comenta, enfim. É que eu, por exemplo, só me dei ao trabalho de ir ao teatro (pelo menos até agora) pra assistir comédias bobinhas. E nem me fizeram rir tanto assim (não gosto de me sentir babuíno, sabe? rsrsrsrs). Achei interessante saber que você cogitou a sério o cinema como profissão! Não te bate uma curiosidade em saber como teria sido?
Beijos, querido.
Um dia te conto mais em detalhes, mas cheguei a tentar mudar de área.
Algo que notei é que comédias bobas, essas que ficam anos em cartaz, realmente não me apetecem, se for para ver algo no teatro, prefiro que tenha conteúdo e qualidade. Em relação ao ver os detalhes e analisar as partes em separados, eu acho que uso um pouco do meu olho para o cinema, mas mesmo assim, não consigo me divertir tão facilmente e sem compromisso com as peças.
Beijos