Terminei de ler a pouco o livro Eu, primata, de Frans de Waal, autor que também ficou famoso pelo estudo sobre a economia e o conceito de salário justo entre macacos. Descobri este livro através da Scientific American Brasil , edição 66 , na seção de recomendações de livros. Mostrei a resenha do livro para a Daminha, ela se apaixonou e o compramos rapidamente.
O livro trata de um estudo comparativo entre evoluções de mecanismos sociais, culturais, emocionais, sexuais e políticos entre os humanos e os outros primatas não humanos, gorilas, babuínos, chimpanzés e bonobos. O livro compara em especial nós, humanos, com este dois últimos, já que são os mais próximos de nós na evolução. Os bonobos foram classificados somente em 1929, até então eram considerados como sendo chimpanzés. Ambos possuem inúmeras características comportamentais que nós também possuímos e, estudando-os, o autor procura entender por que evoluímos para possuí-las.
Os chimpanzés são mais guerreiros, briguentos, fazem política o tempo todo. Chegam a guerrear, são uma sociedade patriarcal que podem ter momentos bem violentos. Para se manter no topo, os líderes têm que buscar constantemente alianças. São muito hierárquicos, onde o posto de macho dominante é trocado a cada período (se não me engano a cada 5 anos) e o de fêmea dura até a morte da matriarca.
Já os bonobos são matriarcais. Muito mais pacíficos, dificilmente ocorrem explosões violentas, são absurdamente (para olhos mais conservadores) sexuais. Praticam atos com teor sexual a cada hora e meia, mas muitas vezes são atos mais singelos, esfregar as genitais uns nos outros, por exemplo. Não existe barreira de sexo, fazem sexo entre as fêmeas, fêmeas com macho e machos com machos (não foi observado coito anal). Sendo mais ou menos nesta ordem a preponderância das relações. Também a idade não é muito relevante, não muito, pois como a sociedade é matriarcal, as fêmeas mais velhas possuem maiores graus hierárquicos e assim são mais procuradas.
Uma frase recorrente ao longo do livro é que os chimpanzés lidam com questões de sexo através do poder e os bonobos lidam com questões de poder com sexo.
Ambos possuem complexos sistemas de trocas, políticas com vizinho, visão em relação aos outros, tanto estes outros, sendo da mesma espécie ou de espécies diferentes. Possuem consciência e empatia. E assim vai. O grau de similaridade entre o modo que eles pensam e agem mimetiza absurdamente os nossos. Cada uma das espécies representando melhor algumas das nossas facetas. Passei o livro inteiro aprendendo melhor o porquê de agimos de algumas formas. Indico fortemente a leitura a todos que têm curiosidade sobre estes temas. Será uma ótima e deliciosa leitura. Você saberá mais sobre nós mesmo através dos olhos destes nossos primos não tão distantes.
Editado: Esqueci de comentar que este livro me fez achar que escolhi a ciência errada.
PS. Não estou censurando o post com homens pelados da Daminha. A Safada é preguiçosa e desencanou de peneirar fotos bonitas. Congelou a idéia deste post no momento. Como sempre achei que homem é um bicho muito feio, concordo com ela que vai ser dificil achar estas fotos ;P



ora, pois eu acho a tua ciência fascinante. li alguns livros, desses pra leigos (claro!!!), e sempre achei lindo. a tua resenha ficou bem legal e dá vontade de ler a obra, mas eu tenho que confessar que essa tendência ‘biologizante’ que eu vejo por aí nas ciências hoje não me agrada em nada. não estou dizendo que é o caso; apenas uma coisa me fez lembrar a outra. quando a minha pilha de livros que estão na fila para serem lidos abaixar um pouco, esse aí pode ser uma boa opção pra acompanhar aquele chá indiano que falei lá no blog. bjs pra vocês!
ah, e eu concordo com vc na questão dos homens. homem é bom pra fazer muiiiiitas coisas, mas um monte de homem pelado fere o meu senso estético. agora se vc quiser botar uma foto de mulher pelada por dia aqui na tua casinha, vou ficar muito feliz (falando em fotos, consegui. as fotos da ruiva voltaram e eu estou te devendo um agradecimento público, hehe)