Era o primeiro grande congresso de que fazia parte. Uma semana em um hotel com praia privativa entre Angra dos Reis e Parati. Ainda estava no início do meu mestrado e não entendia quase nada da minha área de pesquisa. Assim assistir 8 horas por dia de seminários em inglês, muitas vezes pessimamente falado, era um martírio, já que além de não entender o assunto, não entendia o que eles falavam.
Lá pela quinta-feira, o grupo de professores que orientavam o nosso grupo usou o almoço para verificar se estávamos aproveitando o congresso. Éramos quase uma dúzia e nenhum de nós estávamos entendendo neca de pitibiribas. Tirando um colega nosso que fingia que estava entendendo, mas que só dormia ou fazia as listas da matéria que ele era monitor durando aquelas longas horas.
Ao longo do almoço, expliquei que sentia que nós, alunos da pós, estávamos lá só para fazer número. Para bater palmas toda vez que alguém dissesse thank you, ato que denotava o fim de uma dada palestra. Comentei que uma hora alguém ia dizer thank you por algum outro motivo e que o povo ia bater palma mesmo assim.
Deve ter baixado um espírito em mim, pois adivinha o que ocorre no primeiro seminário depois do almoço? Estávamos nos nossos lugares de costume, o fundão do auditório. Só algumas pessoas atrás do nosso grupo, quase todas elas mexendo em seus laptops. A palestrante falando um monte de coisas das quais não entendia bulhufas, mas que até mantinha um nível maior de atenção da platéia científica devido ao seu par proeminente de air-bags, quando o seu pointer de laser falha. Uma pessoa na primeira fileira de cadeiras a empresta um outro pointer. E ela educadamente agradece com as palavras mágicas:
Thank you.
Foi só tais palavras saírem de sua boca que uma mar de mãos começam a se mover em um movimento fluido. Quase todos percebem a gafe que estavam prestes a fazer e param no meio do caminho. Mas alguns não percebem o erro que estavam prestes a cometer, incluindo várias pessoas que estavam atrás do nosso grupo, as mais desavisadas que estavam mais interessadas nos seus jogos de paciência.. Então, ouve-se o som de mãos se movendo umas contra as outras.
Clap Clap Clap
Tenho certeza que as primeiras palmas vieram dos que estavam atrás do nosso grupo. Meu orientador na época, a quem tinha acabado de prever tal evento, levanta a sua cabeça e nos procura com um olhar que dizia:
Foram vocês?
E este foi o meu único dia de médium.


Ei Bob!!! Cadê o post que a Daminha prometeu?
Vc não permitiu??? rs
Deixa vai…
bjs procês… e ótimo feriado
Mara
Hilário!
Eu já vi esse filme. Aliás, trabalhei nele como extra.
Olá Bob,
Realmente que gaffe enorme, mas tb uma semana de seminário de 8 horas diárias parece-me um autêntico exagero não é?
Sabes o que me fez lembrar? As discussões a que assisto aqui na Assembleia da Republica em que se discutem os destinos do País e depois se vêem senhores, a dormir, outros a rir e conversar, outros “limpando o salão”, Lol, quero dizer, mexendo no nariz, etc.
Situações realmente embaraçosas mas que ao mesmo tempo me fazem rir de patéticas que são!
Um beijinho querido amigo.