Mesmo nunca tendo gostado de samba, nem apreciado o Carnaval como a maioria dos brasileiros, tenho boas memórias de alguns carnavais. Um desses carnavais, nem lembro se foi o mesmo, contei aqui e aqui, alguns dos hits deste cantinho. E agradeço publicamente a B, do A Vida Secreta, já que ao postar um deles no seu blog, e ao linkar o outro, a minha audiência mais que triplicou. Em uma outra pequena série de 3 posts irei relatar outro causo, quase tão patético quanto este, só que envolvendo um dos carnavais mais marcantes pra mim. Mas como neste Carnaval não rolou sexo, mesmo eu querendo, acredito que estes 3 posts não se tornarão líderes de audiência
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Um dos amigos, que irei chamar de R, do meu irmão mais velho, estava prestando vestibular para alguma coisa ligada a geologia em Ouro Preto. Ele estava ficando em uma república fazendo um cursinho na cidade. Como na época ele tinha acabado de alugar uma casa pra morar sozinho, ele nos convidou pra passarmos o Carnaval lá.
O começo dessa aventura começa comigo tentando convencer o meu pai que, naquela época, também era o meu chefe, a me dar alguns dias de folga antes do Carnaval. Isso porque ao ligar pra rodoviária mais ou menos uma semana antes do feriado já haviam se esgotado as passagens para o sábado. Como queríamos aproveitar o máximo, fiz o que pude para conseguir folgar também na sexta e poder ir. Depois de muita discussão, consegui a folga. Corri pra rodoviária e chegando no guichê descubro que as passagens pra sexta também já tinham acabado. Ligo pro pai e consigo convence-lo a dar a quinta de folga também. Compro as passagens e retorno pra casa. Quando chego no meu quarto e vou guardar as passagens procuro no primeiro bolso e nada, no segundo, começo a ficar encasquetado, no terceiro, desesperado, no quarto, já estava no estágio de negação. Vôo pra rodoviária, passo na bilheteria e, graças a Murphy que estava caridoso naquele dia, eles estavam com os bilhetes. Um faxineiro os achou e foi bondoso o suficiente e os deixou na bilheteria. Retorno pra casa cuidando bem dos bilhetes.
Passamos a semana tentando avisar o nosso amigo que a gente ia, e pedindo pra ele nos receber na rodoviária.
Tentamos ligar
tum-tum-tum
Telegrama
sons de grilos
Sinais de fumaça
bolas de feno atravessando a rua
Esperando que ele de alguma forma tenha recebido alguma das mensagens, pegamos o ônibus de 12 horas até Ouro Preto. E depois dessa viagem considero um herói qualquer um que consegue ir até o nordeste de ônibus. Depois de 9 horas de viagem, eu achava que Ouro Preto tinha criado pernas e estava fugindo da gente e o meu irmão, que a cidade era um mito. Qualquer luz que víssemos, torcíamos pra ser a cidade do dentista mais famoso da país e não escondíamos a decepção quando passávamos reto por elas. Depois de 12 horas chegamos, descemos do ônibus, quase todo mundo foi recebido por amigos/parentes/cachorros e nada do nosso amigo. Achando que ele estava atrasado, esperamos. Aos poucos os outros desafortunados foram indo embora conforme iam chegando os seus conhecidos. Passou meia hora e nem sombra do indivíduo. Começou a chover e já estávamos achando que ele não entendeu os sinais de fumaça. Parou de chover e decidimos procurar o f.d.p..
Pegamos um taxi e pedimos a ele pra nos levar na Ladeira João de Paiva, 23. O taxista não conhecia a rua. Levou-nos a um ponto de taxi e uma junta foi formada pra deliberar sobre a possível localização de tal endereço. Depois de alguns minutos eles entraram em consenso que a rua era uma que havia mudado de nome há pouco tempo. Indicaram pro nosso motorista como chegar lá. Achando a ladeira ele começa a subi-la. Depois de andar uns 20 metros, ele para, olha pra gente e diz:
-Olha, a ladeira é muito íngreme, meu carro é novo e não quero estragar o motor. Vou deixar vocês aqui mesmo.
Perplexos, somos enxotados pra fora, pegamos as nossas mochilas e começamos a subir a pé a ladeira que era demais pro precioso motor do taxi. Andamos alguns metros e vemos a primeira casa, nº 6, a segunda alguns metros adiante era a de nº 13, mais umas boas passadas e vimos a de nº 16, e olhando pra cima mais nenhuma casa. Subimos uns bons 100 metros e nada de outras casas. Certos que tínhamos o endereço errado, descemos a ladeira, perguntamos onde podíamos achar alguma pousada, encontramos uma que tinha vaga. Até que era barata, gastamos o equivalente a umas 10 latinhas de cerveja pelo quarto. Descemos e fomos comer um cachorro quente. Ouvimos um pouco da festa que alguns foliões já estavam fazendo, mas estávamos cansados demais e fomos dormir.
Digressão: Esse carnaval foi na época do auge da minha bebedeira. Assim, contávamos os valores das coisas por latinhas de breja.
Continua…


Bob, indiquei teu texto porque gostei, e voltei (e volto) pq continuo gostando. Acho que o povo que visita também pensa assim. Mérito seu, moço! Beijocas n’ocê e na Dama.
hahahaha
Bicho, se tu não continuar essa história, juro que vou aí onde você mora perguntar!
Abraços.
Bob,
Estou entusiasmada e curiosa para saber o que aconteceu.Estou a adorar ler a tua história, aliás, como tudo o que escreves seja qual for o tema!
Beijinhos amigo
[...] 15 março, 2008 por Bob Continuação de Ladeira João de Paiva, nº 23 [...]
ahhahahaha
Usar latas de cerveja como moeda é clássico!