Era de madrugada. Não olhei o relógio, mas devia ser umas 2 da manhã. A porta do quarto se abre, a luz é acesa. Era o meu irmão mais velho (meu melhor amigo, que já se foi e de quem sinto muita falta) .
- Tamos indo pra Prainha, quer ir?
-Hmm, o quê?
*bocejos*
-Pra Prainha, vamos fazer um bate volta, se quiser ir, avisa, pra a gente arranjar mais uma prancha.
*sacudo a cabeça, pisco umas mil vezes, a ficha cai*
-Ahh tá, vou sim.
Termino de acordar, me troco e saio com ele. A gente vai buscar o resto do povo, que mora em Itaquera, sendo que a gente morava no centrão. Pegamos o carro e partimos para Itaquera de madrugada, uns 40 minutos depois pegamos o primeiro mano, mais uns 20 minutos achamos o segundo, depois de meia hora encontramos com o terceiro. A esta altura já tava pra lá de bêbado com todas as latinhas de cerveja que já havia bebido. Já comentei aqui que a minha memória foi destruída pela bebida nessa época. Por isso, acredito que já devia ter bebido mais que 10 latinhas para ter conseguido ficar bêbado.
Pequena digressão: Quando meu irmão me pegou, o combustível já estava pra entrar no vermelho. Quando achamos o primeiro mano, o combustível já tava dentro do vermelho. No segundo, a agulha já estava encostada no seu ponto mais baixo. No terceiro, estávamos ficando preocupados, pois não conseguíamos achar um único posto aberto em Itaquera. Por sorte, quando o motor estava dando sinal de morrer, achamos um.
Toda a patota no carro. As pranchas no teto. Os bêbados sendo abastecidos com os seus combustíveis, o carro idem, partimos em direção a Bertioga. Pegamos a balsa em direção ao Guarujá ao amanhecer.
Segunda pequena digressão, não tão pequena: Para os que não conhecem, esta Prainha fica logo depois que se atravessa a balsa entre Bertioga e o Guarujá. À direita da balsa tem um estacionamento. À esquerda, há uma trilha que atravessa o morro. Esta trilha deve demorar, se você estiver sóbrio e se a trilha estiver seca, uma meia hora de caminhada, se bem me lembro. Esta praia era um ótimo point pra surfar. Na época em que íamos lá constantemente só tinham nós e o caiçaras. Quando ficávamos mais de um dia lá, montávamos nossas barracas na praia. Pegávamos água, e tomávamos banho no único camping que existia. Ficávamos em paz lá. Até a última vez que fomos. A praia foi descoberta pelo povo. Os farofeiros a invadiram. Nossa Prainha secreta deixou de ser e o seu charme foi destruído. Nunca mais voltei lá, talvez o faça para prestigiar as minhas antigas memórias de lá.
Como está descrito na segunda digressão, a trilha era tranqüila se você estiver sóbrio e ela estivesse seca. É claro que nenhuma dessas condições foram obedecidas, foi um festival de escorregar na lama até chegarmos à praia. Todos enlameados, cansados e bêbados tomamos um banho de mar. Colocamos nossas roupas de surfistas e olhamos pro mar. Ele olhou pra gente, entramos em acordo de descansarmos um pouco. Colocamos nossas pranchas debaixo de algumas árvores e finalmente dormimos, e como dormimos. Acordarmos no meio da tarde. Pegamos as pranchas e trilhamos os nossos caminhos de volta até São Paulo.


Essas decisões de última hora são ótimas…
Normalmente geram ótimas lembranças…
Beijos